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Por uma reforma protestante no século XXI

Aug 10, 2010 01:44 PM UTC   submitted by Wlademir Pinto Da Silva    Follow Wlademir Pinto Da Silva
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Conversando com alguns irmãos em Cristo, sobre o recente artigo intitulado “Os novos evangélicos” publicado pela revista Época (edição 638 de 06/08/2010) sobre a necessidade de reforma do cristianismo, lembramo-nos de um artigo do Pastor Clênio F. L. Caldas, da Assembléia de Deus do Bom Retiro-SP, datado de 15 de janeiro de 2009, tratando basicamente do mesmo assunto, o qual transcrevo abaixo:

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Por uma reforma protestante no século XXI

Quando o monge agostiniano Martinho Lutero afixou suas 95 teses na porta da catedral de Wittemberg, em 31 de outubro de 1517, revelava ao mundo sua intolerância ao sentido da mensagem central do Evangelho do Senhor Jesus Cristo, tal qual a Igreja Católica Apostólica Romana então considerava e validava. Ou seja, em vez da valorização do sacrifício vicário de Cristo na cruz do Calvário, onde remiu o homem do pecado, da justiça e do juízo, concedendo-lhe o perdão incondicional – desde que O aceitasse como seu único e suficiente salvador – atribuía importância significativa ao óbolo que, ao ser depositado no gazofilácio, possuía poder suficiente para não somente lhe resgatar a alma da condenação eterna, como se tornar o passaporte para levá-lo à presença de Deus no páramos celestiais. Isto é, o Sangue de Jesus vertido na infamante Cruz ali no Gólgota assumia plano secundário diante do significado maior da contribuição financeira para as obras do clero romano.

Assim, Martinho Lutero, tendo como fundamento o versículo “O justo viverá da fé” (Romanos 1:17) protestava veementemente contra aquela forma vil de considerar a salvação de uma alma fruto tão somente da venda de indulgências, o “preço” pelo qual o ser humano obtinha o perdão para seus pecados. Seu gesto, bem como o seu próprio nome, entrou para os anais da história da Igreja, bem como para os registros da História Universal como baluarte que não somente resistiu à influência daninha do clero romano e sua interpretação deturpada da justificação pela fé, como pagou alto preço por essa corajosa atitude. Sua excomunhão e cruel perseguição, encabeçadas pelo alto clero católico romano, foram apenas algumas das conseqüências de sua revolta.

Todavia, uma decisão fundamental havia sido tomada e a Palavra de Deus, assim como seu firme alicerce, havia sido resgatada. Outros reformadores o seguiram, alguns pagando com a própria vida a coragem e a ousadia de se interpor diante da apostasia da igreja dominante.

Quase cinco séculos transcorreram depois destes fatos. A Igreja Protestante, nome pelo qual passou a ser identificada a igreja evangélica, firmou-se cada vez mais como esteio no resguardo e preservação da mensagem cristocêntrica das Boas Novas, que anuncia a Palavra do Senhor ante a apostasia e a idolatria apregoadas pela Igreja Católica Apostólica Romana, em detrimento da supremacia absoluta do poder do Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Atualmente, já chegando ao final da primeira década do século XXI, observamos um quadro um tanto quanto similar àquele do século XVI. Apenas os papéis foram alterados e as figuras agora se fixam dentro das próprias fileiras da então igreja protestante, agora nominada oficialmente Igreja Evangélica.

Não mais o clero romano aparece como centro das atenções por suas posições polêmicas quanto ao valor real do sangue de Cristo como purificador e remidor do pecado humano. Desempenham essas “funções” representantes da própria igreja evangélica, cognominados como pastores, bispos, apóstolos, obreiros de forma geral. Enfatizam desmesuradamente a força e o significado da “lei da semeadura” em detrimento do valor do precioso sangue do Senhor e Salvador Jesus Cristo. Apregoam que o ato de “semear” proporciona vantagens pecuniárias consideráveis, oferecendo ao “contribuinte” possibilidades de usufruir retorno muitas vezes mais do que aquela importância que havia “semeado”.

Nada a obstar quanto ao ato de contribuir, ofertar, dizimar. Afinal, são preceitos divinos e ao homem cabe cumpri-los com diligência, amor, seriedade, alegria e respeito. As promessas atinentes ao dízimo, que são consubstanciadas também no Novo Testamento, valem igualmente quanto ao ato de ofertar, como foi o caso da pobre viúva de acordo com o registrado pelo evangelista Lucas no capítulo 21 do evangelho de sua autoria.

O que não se pode admitir, dentro do Corpo de Cristo, é a forma como vêm sendo manipulados os ensinamentos do Senhor, deturpando o genuíno significado da lei da semeadura, sobrepondo-a aos efeitos insuperáveis e insubstituíveis do sangue de Cristo.

O sangue de Jesus tem o poder curador, restaurador, renovador, livra a alma abatida do estado pecaminoso e restabelece o ser humano à sua condição original de comunhão com o Senhor. Como consequência disso tudo o homem, grato ao seu Senhor e Salvador, reconduzido à presença preciosa do Pai Celestial, após exaltá-lo e louvá-lo pelo que Ele é, demonstra sua gratidão fazendo o que Ele manda e recomenda, incluindo a sua oferta sincera e sem constrangimentos.

Não faz desse ato uma “barganha” com o Senhor e sim retribui com o seu estilo de vida e parte das posses recebidas das celestiais mãos o seu tributo de reconhecimento pelas bênçãos recebidas.

O ensino e a instrução que vêm grassando no meio evangélico não coincidem com essa orientação, pois prepondera o ofertar, o semear, melhor dizendo, se sobrepõe o ato de obter as bênçãos materiais desejadas e almejadas pelo constrangimento em contribuir financeiramente para isso. Mateus 6:33 passa a não representar o que na realidade promete ao crente em Cristo, uma vez que “as demais coisas” serão acrescentadas mesmo não se “buscando em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça”.

Diversas passagens e episódios bíblicos são utilizados como base, alicerce para fundamentar esse ensinamento desvirtuado das Escrituras Sagradas. Incautos, imprudentes, néscios, são levados a agir dessa forma fazendo com que muitos se comprometam seriamente em seus orçamentos pessoais e domésticos, na esperança de “conseguir mais” diante dos dramáticos apelos lançados por homens e mulheres ditos “cristãos”, que anunciam essas constrangedoras “promessas”.

Outros mais se entristecem ou ficam acabrunhados por não terem condições de atender aos insistentes convites de tais pessoas, que se dizem respaldados pela Palavra de Deus. Assim, diante de tais circunstâncias constatamos resultados discutíveis com testemunhos de alguns que obtiveram êxito ante o seu “ato de semear”, contrastando com inúmeros outros que não lograram sucesso nesse mesmo “ato” e não foram computados como resultados positivos na busca do ansiado objetivo.

Casos como esses são repetidos, todavia o destaque não aparece. O que se observa são não poucas pessoas frustradas, decepcionadas com Deus, como se Ele fosse o responsável pelas consequências dos atos que praticaram, originários das irresponsáveis colocações e argumentos de homens e mulheres que haverão de ajustar contas com o Senhor pelas heresias que vêm cometendo, tratando com leviandade a Palavra de Deus.

Urge surgir um novo Lutero em pleno século XXI. Não se pode admitir que esta situação perdure conduzindo no roldão do engano tantas almas sequiosas de “um lugar ao sol” na vida material, todavia fazendo uso de métodos condenáveis e extra-bíblicos.

Temos consciência de que a gloriosa volta do Senhor encontrará menos fé na terra, em muitos o amor terá esfriado e, igualmente, a santa e bendita Palavra de Deus terá sido conspurcada e menosprezada. Isto faz parte do cumprimento das profecias. Entretanto, antes que essa fé e esse amor esfriem no coração de muitos, uma nova e urgente Reforma deverá ser desencadeada, restaurando os autênticos princípios que regem e norteiam o nosso relacionamento com Deus e restabelecendo a credibilidade no sangue de Cristo com seu inigualável e insuperável poder.

Clênio Falcão Lins Caldas

15 de janeiro de 2009

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Para melhor assimilar e compreender o momento atual do cristianismo, recomendamos a leitura do artigo publicado na revista Época (edição 638 de 06/08/2010)  http://revistaepoca.globo.com/


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